O Masters 1000 de Roma já começou e o grande fantasma da chave atende pelo nome de Jannik Sinner. O italiano desembarca no Foro Italico tentando esticar um recorde que já é absurdo: ele vem de cinco títulos de Masters 1000 seguidos sem pular nenhum torneio do calendário. Desde Paris no ano passado, o cara simplesmente não perde nesse nível. A última vez que ele tropeçou no circuito ATP foi lá em fevereiro, quando caiu para o Jakub Mensik nas quartas de final no Catar. Agora, a missão é fazer a sexta vítima consecutiva em casa.
Daniil Medvedev, que entende uma coisa ou outra sobre jogar em alto nível, resumiu bem a situação numa entrevista recente. O russo mandou a real dizendo que o que mais assusta no italiano nem é a técnica pura, mas a estabilidade bizarra que ele alcançou. Segundo Medvedev, a gente até se acostumou com isso na época do Big 3, mas ver essa regularidade agora entre Sinner e Carlos Alcaraz — e principalmente do lado do Sinner — é de cair o queixo.
Qualquer tenista tem um dia ruim. Você acorda com dor de cabeça, o café da manhã cai pesado, não dorme direito. O normal é o nível de tênis baixar um pouco. O problema é que o nível do Sinner simplesmente não despenca e, mesmo quando ele oscila, ainda joga o suficiente pra amassar os adversários. Como o próprio Medvedev brincou, beira a fantasia. Todo mundo entra em quadra sabendo que ele vai jogar muito e não há surpresa nenhuma quando ele vence. Resta aos mortais dar os parabéns e tentar um milagre.
Ironicamente, o próprio Medvedev tem uma relação de amor e ódio bem documentada com o saibro italiano. Nas suas três primeiras campanhas em Roma (2018, 2019 e 2021), ele fez as malas logo na primeira rodada. Mas o jogo virou de um jeito drástico em 2023, quando ele emplacou a melhor fase da vida na terra batida, perdeu só um set o torneio inteiro e levantou o troféu em cima do Holger Rune.
Enquanto a gente acompanha a dominância do Sinner, a chave principal em Roma vai ganhando corpo nesta sexta-feira com a estreia dos cabeças de chave. O destaque é ninguém menos que Novak Djokovic, que volta à ação pra encarar o Dino Prizmic. Quem acompanha o circuito lembra bem do sufoco que o croata, na época com 18 anos, deu no Nole no Australian Open de 2024. Djokovic venceu em quatro sets suados (6-2, 6-7, 6-3, 6-4), mas ali o garoto avisou que estava chegando. Prizmic demorou um pouco pra embalar depois daquele jogo, é verdade, mas agora parece ter se encontrado de vez. Ele já soma oito vitórias em chaves principais em 2026, inclusive passando por caras como Matteo Berrettini e Ben Shelton no quali de Madrid. Aqui em Roma, o atual número 79 do mundo despachou o Marton Fucsovics na primeira rodada com um sólido 6-4 e 6-3.
Do outro lado da rede, temos um Djokovic que é uma verdadeira incógnita. O sérvio de 38 anos simplesmente sumiu do circuito depois daquela derrota doída em três sets pro Jack Draper nas oitavas de Indian Wells. Pra se ter uma ideia, ele jogou só dois torneios na temporada inteira até agora — sendo o outro o vice-campeonato inesperado na Austrália. Fisicamente ele deve estar sobrando, totalmente descansado, mas o ritmo de jogo é outra história. Nole vai entrar em quadra enferrujado, e se o Prizmic vier pra jogo como fez no passado, a coisa pode engrossar pro lado do cabeça de chave número 3.
Outro nome que atrai muitos holofotes nesta rodada é o de Rafael Jodar. Do nada, o peso do mundo caiu nos ombros do espanhol de 19 anos. A expectativa tá batendo no teto porque ele precisa de pelo menos uma vitória em Roma se quiser garantir uma vaga como cabeça de chave em Roland Garros. No começo do ano, pensar nisso parecia loucura. Mesmo antes da temporada de saibro, era algo improvável. Mas depois de faturar seu primeiro título da ATP em Marrakech e de fazer quartas em Madrid — onde só parou no campeão Sinner —, a história mudou de figura.
O primeiro desafio de Jodar em Roma é contra o Nuno Borges, um confronto inédito no circuito. O português avançou na quarta-feira atropelando o Jesper de Jong por 6-3 e 6-0, só que o retrospecto dele no ano é bem fraco, amargando 9 vitórias e 13 derrotas. Se a gente não contar um jogo ganho por desistência, o atual número 52 do mundo não conseguiu bater ninguém classificado acima do top 30 até agora em 2026. Sendo bem realista, a dinâmica desse jogo aponta pra um domínio do Jodar do começo ao fim.
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