Um final de semana jogando com a equipe e amigos em Minas Gerais

Evento realizado pela Força Tarefa Nacional de Airsoft - MG e pela coordenação SAR-MG com o objetivo de imergir os participantes às situações de sobrevivência e exaustão física e mental, realizado em uma área florestal com mais de 1.300.000 mts².

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O Heaven in Flames 2016, evento também conhecido como HIF, realizado desde 2014, em Contagem – MG, ocorreu nos dias 09, 10 e 11 de Setembro, com a presença de diversas equipes pelo país.

Esse ano o HIF foi realizado na modalidade SAR (Simulação de Ação Real),sendo abertas 300 vagas ao todo. Pela organização foram entregues um kit contendo diferentes tipos de fardamentos determinados para cada exército, uma Dog Tag e toalha vermelha personalizadas,  patch do evento, led luminoso para missão noturna e um número para sorteio de uma AEG- ARES.

Mas tudo começou dia 21 de Abril de 2016. Um dia após o início das inscrições, conversamos com a equipe e fizemos nossas inscrições com o objetivo de participar deste importante evento que faz parte do calendário nacional.

O Município de Contagem, localizada na região central Minas Gerais, fica à mais de 500 km de distância do Rio de Janeiro – RJ, verificamos várias formas que ficasse em conta para irmos, pois queríamos que toda a equipe fosse junta. De ônibus os horários eram ruins, teríamos que ir dia 08 de Setembro (quinta-feira), ás 23:00 horas, ou dia 09 (sexta-feira), ás 15:00 horas, e queríamos chegar assim que o evento iniciasse, na sexta ás 18:00 horas, para a entrega dos kits, além de confraternizar com as equipes participante.

Para nossa sorte nosso amigo Leandro Novaes, da equipe FEAR-ES/RJ, informou que haviam 4 vagas no carro e a Black Hawk – RJ, tínhamos o número exato que ele precisava, portanto dividiríamos o combustível e o pedágio para a aguardada viajem.

A preparação para o evento foi uma verdadeira batalha, começou com a compra de tudo relacionado com itens de sobrevivência com o objetivo de enfrentar a chuva ou frio, pois o evento teria a duração de 24 horas. Precisaríamos de barracas, para acampar, pois a proposta do HIF de 2016 era a realismo, acamparíamos no mato sem qualquer tipo de conforto ou luxo.

Então chegou o grande dia 09 de Setembro de 2016, uma sexta- feira, saímos de nossas casa para enfrentar a BR-040 com cinco integrantes, no qual quatro deles nunca tinham participado de um evento de Airsoft fora do Estado do Rio de Janeiro.

Tudo era novo, uma euforia tomava conta de nós. Parecia que nunca iriamos chegar. Foram aproximadamente 7:00 horas de viagem e ainda enfrentamos um engarrafamento que testou nossa resistência.

Chegamos por volta das 19:30 horas no evento. Uma alegria sem igual, desde 2014 queríamos ir e finalmente estávamos lá. Muitas das pessoas que estavam lá conhecíamos pelo grupo do whatsapp e do facebook o que tornou a experiência ainda mais enriquecedora.

Conversamos com todos, pegamos nossos kits, cronamos nossas AEGs, comemos churrasco e principalmente revemos amigos do nosso próprio Estado, além de conhecermos pessoas de diferentes regiões, dentre elas: Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Espirito Santo, Goiás e do Rio Grande do Sul. Montamos nossas barracas e fomos dormir aguardando a alvorada que seria às 05:00 horas da manhã.

Dia 10/09/2016, sábado, às 05:00 horas da manhã os organizadores gritavam: ALVORADA. Os participantes saindo de suas barracas, se equipando e arrumando tudo para começar a jogar com os sorrisos e alegrias características da união que o esporte proporciona.

Tudo pronto fomos tirar a foto oficial, o hino nacional tocou e ali muitos perceberam: realmente conseguimos realizar o sonho de participar deste evento. Aproximadamente 300 participantes em campo, divididos em Exercito de Libertação Brasileira e Força Expedicionária Portuguesa. Estávamos em um parque ambiental o local é gigantesco e imponente.

O evento começou, e a Força Expedicionária Portuguesa foi dividida em três squads, nossa equipe, Black Hawk – RJ, ficou sob o comando de Renato Teixeira, da Equipe CBTA – RJ.

Seguimos para as nossas missões: montamos nosso acampamento, e logo em seguida o comando informou que teríamos que desmontar nosso acampamento pois recebemos informações que um caminhão do exercito adversário passaria pelo local e não poderia descobrir nossa localização. Todo exército ficou numa tensão total.

Nosso almoço veio, logo após saímos para fazer o reconhecimento do local. Voltando para o acampamento, solicitaram que fôssemos reforçar o squad responsável por instalar a antena. Nesse momento, avistamos um grande contingente do Exército Brasileiro se deslocando.

Nos abaixamos para tentar seguir nossa missão sem confronto, mas eles já haviam nos visto. Trocamos tiros (bbs), alvejamos operadores do outro Exército, perdemos alguns dos nossos e ficamos encurralados. E todo vez que um carro passava tínhamos que nos abrigar, a tensão pairava no ar.

Começou a anoitecer e travamos um grande confronto contra o frio e a equipe inimiga, ainda tentando retornar para a nossa base. Infelizmente devido um problema por volta das 22:15 horas, mais de 70% do Exercito Português se retirou do campo. Em uma contagem rápida percebemos que não tínhamos 40 operadores conosco.

As equipes que permaneceram foram: Alpha Team, Black Hawk – RJ, CBTA – RJ, Comandos RJ, COE RJ, Orion, Titan e Renegados. Devido a perda de contingente, o Exército Separatista se juntou ao Exército Português, na tentativa de suprir a falta de participantes.

O Exército novamente se organizou e foi feito nosso sopão, com legumes que cortaram no próprio acampamento, fizeram uma fogueira no meio da estrada, um momento de descanso.

Por volta de 00:00 horas foi passada a nossa missão, tínhamos que ir até um CQB próximo ao Tridente, em busca de dinheiro que seria utilizado para comprar transporte e deslocar um boneco até outro quadrante, sendo divididos nosso quantitativo novamente em três squads.

Cumprimos a missão de localizar o dinheiro nesse momento a equipe designada em localizar o boneco encontro o Exército Brasileiro, durante o confronto perdemos alguns operadores que fizeram falta devido ao número reduzido de membros do nosso Exército.

Não pudemos auxiliar esse squad pois tínhamos que levar o dinheiro até a vila, tivemos que fazer caminho mais longo para não encontrarmos o outro Exército, sem poder ligar a lanterna, no início é estranho devido a escuridão, mas depois os olhos acostumam. Se encontrássemos o inimigo teríamos que recuar, não por medo, mas sim por estratégia, para não perder nenhum operador.

Chegamos a vila e contratamos o motorista do caminhão, no início foi cobrado $ 500,00 Flames, após longa negociação pagamos $ 70,00 Flames.  Seguimos para outra missão onde teríamos que segurar um quadrante por uma hora. Ali passamos muito frio, já por volta das 03:30 horas da manhã de domingo. A cada barulho torcíamos para não ser o Exército inimigo.

flamesAcima imagem do dinheiro criado pela organização denominado Flames, utilizado durante a HIF 2016 (Fonte: Black Hawk – RJ).

Seguramos o quadrante, durante o horário determinado, às 05:30 horas voltamos para a base pensando que teríamos 20 minutos de descanso, engano nosso, ao chegar na base nosso comando passou as últimas missões para cumprir.

Nesse momento já nos encontrávamos esgotados. Tínhamos que espalhar diversas bandeiras da cor vermelha pelos quadrantes determinados no mapa e protegê-las, com apenas quarenta participantes, sabendo que seria uma tarefa árdua.

Além das bandeiras deveríamos localizar a ogiva e a chave de ativação, levando a ogiva até o ponto designado no mapa para ativa-la, é por fim deslocar até o ponto de extração e aguardar até as 10:00 horas da manhã.

Fixamos as bandeiras, localizamos  a ogiva com as instruções de como ativa-la. Partimos para a segunda parte dessa missão que era localizar a chave de ativação com um número mínimo de participantes. Localizamos, ficamos abrigados em um local, até que um operador fosse à vila, para contratar um motorista para que ele nos tirasse daquele ambiente.

Minutos depois o veiculo retornou, embarcamos e nos dirigimos para a última parte da missão indicada, implantar a ogiva e detonar. Alguns metros a frente da nossa posição passamos por um squad inimigo, mas como foi informado para nossa sorte o veículo poderia ser alvejado. Encontramos o restante do nosso Exército para concluir a última missão.

Partimos em direção a uma torre, próxima a base do Exército Brasileiro. Na subida da rua que levava a torre caímos em uma emboscada inimiga.

Após o engenheiro ser alvejado, um dos membros do squad pediu reforço, mas ouvimos pelo rádio que todo o nosso contingente já havia sido abatido. Só nos restou observar enquanto o Exército Brasileiro retirou a ogiva de nossas mãos.

Queremos agradecer a todos que lutaram conosco com muita garra até o fim. Que venha Heaven in Flames 2017.

img_8181Acima imagem da equipe Black Hawk – RJ durante a HIF 2016 (Fonte: Black Hawk – RJ).

*Texto enviado pelos colaboradores Mery Fernandes, Luís Fernandes, Felipe Uchôa e Thiago Veronese, membros da equipe Black Hawk – RJ, equipe participante da Heaven in Flames 2016.

Para maiores informações sobre o evento, acesse: http://atacmilsim.com.br/site/?page_id=1377

Sobre a equipe Black Hawk – RJ, acesse: https://www.facebook.com/blackhawkrj/?fref=ts

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